quinta-feira, 16 de maio de 2013

A-ver-letras #2


Chegou a desejada hora do regresso a outra obra de José Saramago. Desta vez será O Memorial do Convento

A-ver-letras #1


Esta é a Ikushima Library, desenhada pelo Atlier Bow Wow, em Kokubunji, Tokio - Japão. Para verem mais imagens desta magnífica casa-livro cliquem aqui.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Kanikosen - Takiji Kobayashi




Título: Kanikosen - O Navio dos Homens 
Autor: Takiji Kobayashi
Nº de Páginas: 162
Editora: Clube do Autor

Sinopse: « «Vamos até ao inferno.» Começa assim a história do Hakko Maru, um pesqueiro que parte para a faina nas águas gélidas do Kamchatka, e da sua tripulação: um grupo diversificado de lobos-do-mar curtidos e arruinados pela bebida e pelas mulheres, estudantes universitários em dívida com o Estado e camponeses pobres à beira da inanição.
Enquanto o vento morde a coberta e a neve transforma os barcos em espectros, o patrão da expedição pesqueira força os tripulantes a trabalhar até ao esgotamento e aplica-lhes castigos brutais, se se atreverem a protestar. A pouco e pouco, espalham-se as sementes da revolta e, apesar das embarcações da marinha imperial que patrulham a região para manter a ordem, rebenta o inevitável motim.
Kanikosen - O Navio dos Homens é um clássico da literatura japonesa. Foi publicado pela primeira vez em 1929 e alcançou recentemente um espectacular ressurgimento internacional que o levou às listas dos livros mais populares, com mais de um milhão e seiscentos mil exemplares vendidos, uma vez que os leitores modernos se identificaram com as humildes personagens que protagonizam este romance.»

Este é um daqueles livros que carrega consigo uma bagagem enorme, pela repercussão que a publicação de obras com tanto impacto fazem arrastar.  Neste Navio dos Homens - obra de grande importância no país do sol poente e que levou o seu autor a ser reconhecido como o mais revolucionário dos escritores nipónicos - é-nos dada a conhecer uma realidade ao nível laboral não muito distante da dos tempos da escravatura propriamente dita. Trata-se de um relato cru, numa narrativa simples e linear, envolta numa mescla de sopa literária que me agrada bastante; personagens humildes,  uma voz narrativa solitária e omnipresente e uma mensagem forte q.b para ofuscar os olhos ao leitor mais desprevenido.
Tal como aconteceu em outros casos, Kobayashi sentiu na pele as consequências do papel que escolheu interpretar, que mais não foi que o de delator. Em 1930, ano seguinte à publicação da sua obra-prima, Kobayashi foi várias vezes detido pela polícia e acusado de actividades subversivas, passando desde então a escrever sob pseudónimo. Membro assumido do Partido Comunista com participações em greves de trabalhadores e revoltas de camponeses, acabaria por ser mais uma vítima do longo braço da lei. Detido pela polícia num dia, declarado morto no dia seguinte fruto da brutalidade policial.
Não deixa de ser irónica a forma como, quase um século depois, este romance simples ressurge do quase-nada e toma de assalto os escaparates um pouco por todo o mundo. Acontecimento que na minha opinião se deve ao facto de os leitores se identificarem com os pobres operários, marinheiros e pescadores nas suas escassas condições de trabalho.
Uma obra intemporal muito poderosa, que merece ser colocada lado a lado com outras grandes obras da literatura mundial.

sábado, 11 de maio de 2013

Citações #23

«Perder cinco ou seis homens não tem qualquer importância, mas seria uma pena perder os botes.»

Kanikosen - O Navio dos Homens, Takiji Kobayashi

terça-feira, 23 de abril de 2013

Tordoólico


Como já devem ter reparado, sou um Tordoólico assumido. Não receio ser descriminado nem olhado de cima a baixo nos transportes por meia-volta ter um livro do mesmo autor entre mãos. «Será que aquele tipo só lê livros do mesmo escritor?», ou «Olha-me este peixe do aquário, só sabe o que são aguas doces. Mar que é bom, nada!», rindo-se, maus como as cobras e a mostrarem todos os dentinhos que tenham na boca. Isto, claro, desde que não façam barulho suficiente para me despregar os olhos do livro.

Boas leituras.

sábado, 20 de abril de 2013

João Tordo na TSF

Podem escutar a interessante conversa de Carlos Vaz Marques e João Tordo no programa Pessoal e Transmissível da TSF, a propósito do lançamento do mais recente romance de Tordo; O Ano Sabático.
Para apreciar esta boa conversa entre duas personalidades com as quais eu, pessoalmente, simpatizo muito basta clicar aqui.

Desfrutem, 

boas leituras.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A rainha no palácio das correntes de ar (Millenium 3) - Stieg Larsson


Título: A rainha no palácio das correntes de ar 
Autor: Stieg Larsson
Nº de Páginas: 732
Editora: Oceanos - Bis Leya

Sinopse: «Lisbeth Salander sobreviveu aos ferimentos de que foi vítima, mas não tem razões para sorrir: o seu estado de saúde inspira cuidados e terá de permanecer várias semanas no hospital, completamente impossibilitada de se movimentar e agir. As acusações que recaem sobre ela levaram a polícia a mantê-la incontactável. Lisbeth sente-se sitiada e, como se isto não bastasse, vê-se ainda confrontada com outro problema: o pai, que a odeia e que ela feriu à machadada, encontra-se no mesmo hospital com ferimentos menos graves e intenções mais maquiavélicas...
Entretanto, mantêm-se as movimentações secretas de alguns elementos da SAPO, a polícia de segurança sueca. Para se manter incógnita, esta gente que actua na sombra está determinada a eliminar todos os que se atravessam no seu caminho. Mas nem tudo podia ser mau: Lisbeth pode contar com Mikael Blomkvist que, para a ilibar, prepara um artigo sobre a conspiração que visa silenciá-la para sempre. E Mikael também não está sozinho nesta cruzada: Dragan Armanskij, o Inspector Bublanski, Anita Giannini, entre outros, unem esforços para que se faça justiça. E Erika Berger? Será que Mikael pode contar com a sua ajuda, agora que também ela está a ser ameaçada? E quem é Rosa Figuerola, a bela mulher que seduz Mikael Blomkvist?»

Neste terceiro e derradeiro volume da saga millenium confirmei as suspeitas; Stieg Larsson foi um mestre! Devo também dizer que tive recentemente a oportunidade de ver o filme que, para contrariar as minhas suspeitas, me conseguiu surpreender bastante pela positiva; através de uma incrível adaptação para a tela quase copiando a idealização do desenrolar da narrativa e das personagens que eu visualizara, em particular Lisbeth Salander. Neste volume, Lisbeth vê-se forçada a permanecer no hospital, carecendo de tratamentos, dependente da ajuda de terceiros para preparar o processo que irá ser alvo por parte do procurador Ekstrom, de Estocolmo. O suspeito do costume, o inabalável Super Bloomkvist, não desiste de tentar ajudá-la; sem receio de recorrer a métodos pouco ortodoxos que posteriormente se revelariam essenciais. Pelo meio decorre mais um episódio interessante na vida amorosa de Mikael Bloomkvist, que desta vez se perde de amores por uma inspectora ligada ao grande processo. Confesso que adoro a escrita de Stieg Larsson e a vejo como uma poção ideal para se escrever este género de narrativa ao mesmo tempo envolvente, extasiante e simples; uma escrita crua e sem floreados com a qual me dou lindamente e que devoro como um esfomeado. Só é pena eu saber que não existe mais nada do autor para eu ler, é mesmo pena…Enfim, penso que se justifica plenamente o sucesso obtido um pouco por todo o lado, figurando nos tops de vendas em vários cantos do mundo: fascinante!